Existe no Rio de Janeiro um grupo que se preocupa em oferecer muito mais do que o pote de ouro no fim do arco-íris. A sua atividade mais reconhecida, sem dúvida, é a realização da Parada do Orgulho LGBTI, que já está em sua 22ª edição. Porém o Grupo Arco-Íris, nesses 24 anos de militância, já realizou com milhares de pessoas, atividades de qualificação, empoderamento e acolhimento dessa população tão estigmatizada.

Nesse último ano, entretanto, devido à dificuldade de relacionamento do GAI com a Prefeitura e com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, diversos projetos e planejamentos tiveram que ser reestruturados, a começar pela Parada deste ano que não terá apoio financeiro para a sua realização. Inclusive, não foi repassado ao Grupo pela Prefeitura a parcela restante da Parada, realizada em 2016. Dinheiro este que nem pertence a gestão atual uma vez que foi destinado, em Diário Oficial, pelo prefeito anterior. Assim como a criação de empecilhos para que o Arco-Íris fale em escolas e outros órgãos da rede municipal, que segundo informam, não tem a ver com a convicções pessoais e religiosas do prefeito.

“Parada da Resistência contra a LGBTfobia e o ódio, pela diversidade religiosa e em defesa do Rio”, acontece no dia 19 de novembro e está sendo viabilizada através de crowdfunding e doações diretamente ao Grupo. O evento, que é considerado o 3º maior da cidade, reúne em Copacabana um milhão de pessoas com diversas atividades culturais e de prestação de serviços civis e de saúde. As atividades têm início às 10 horas e vão até às 15 horas quando começam os discursos e às 16 horas a caminhada efetiva pela orla. Trios elétricos compõe a Parada com a participação distinta em cada um dos carros, de grupos como: o Grupo Mães pela Diversidade, Lésbicas, População T, etc.

A história do Grupo começa a partir da determinação de quatro amigos que resolveram arregaçar as mangas e lutar pelos direitos do grupo LGBTI, muito preocupados com a disseminação da Aids e seus reflexos e preconceitos na sociedade. Estamos falando do ano de 1993, onde a doença ainda era desconhecida e associada à comunidade gay. No início se reuniam em casa e como o movimento foi tomando corpo, foi preciso alugar um espaço para melhor atender a demanda que foi surgindo ao longo do tempo.

O Grupo tem como missão promover qualidade de vida, direitos humanos e cidadania para os LGBT’s, desenvolvendo projetos na área de saúde, cultura educação e direito. No Brasil, é referência no combate a homofobia e ao direito de liberdade e diversidades de gênero.

O Grupo sempre se preocupou com a criação de políticas públicas ligadas à causa, atuando de forma direta em Comissões estaduais e municipais, tais como a criação, junto a Secretaria de Desenvolvimento, do Rio Sem Homofobia, que foi pioneira na atenção as causas LGBT; ganhando inclusive diversas medalhas internacionais pelos programas adotados.

Em 2010 começa a fazer a Testagem Rápida para HIV, sendo hoje a única a fazer a Punção Digital que garante maior confiabilidade de resultado, em parceria com a Fiocruz. Nestes últimos sete anos já realizaram mais de cinco mil testes. O atendimento é gratuito e realizado de 2ª a 5ª, das 16 às 20 horas e aberto a todas as pessoas interessadas, inclusive aos heterossexuais.

O projeto Acolher foi criado em 2005 com o intuito de dar atendimento psicológico para os soropositivos, àqueles discriminados em casa, pela sociedade e suas respectivas famílias, sendo retomado há dois anos, através de parceria com o IBMR. São 10 psicólogos entre voluntários e estagiários da universidade que dão atendimento e realizam discussões e palestras às sextas-feiras.

Além destes projetos em sua sede, outros tantos são desenvolvidos fora da casa pelo Grupo, como por exemplo o de Empoderamento Juvenil, Empreendedorismo para a População LGBT, Educação para a Diversidade, Entre Laços, Vozes da Diversidade Laura de Vison, Laços e Acasos, Entre Garotos e Transformações e etc; e muitos que ainda estão por acontecer como o de Arte terapia. A equipe do grupo se dispõe a falar em escolas, universidades, empresas ou qualquer outro lugar onde forem chamados no intuito de esclarecer e diminuir a discriminação e a intolerância de qualquer espécie entre alunos, funcionários, professores, empregados e empregadores onde são convidados.

O Grupo se mantém através dos espaços vendidos durante a Parada e confeccionando bolsas com as lonas publicitárias usadas no evento, assim como aceita doações de pessoas físicas ou jurídicas. 

Esse texto e fotos foram extraídos do Atados Histórias.

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